Às vezes olho para as minhas mãos e sinto que elas são pequenas demais para o futuro

Será um defeito querer mais do que a vida que cabe em suas mãos?

Algumas noites, me pego fazendo essa pergunta.

Existe um tipo específico de angústia que surge ao desejar algo que você sabe que não pode ter. 

Eu amo minha vida. Amo mesmo, muito. Mas amar algo não significa que você não se pergunte como seria se fosse diferente. Às vezes, olho para as minhas mãos e sinto que elas são pequenas demais para o futuro que fico imaginando. Às vezes, tenho medo de que querer mais seja o mesmo que dizer que isso não basta. Que gratidão e fome não podem coexistir. Que eu preciso escolher.

Desde então, tenho plena consciência de que a ambição deve ser grata, que os sonhos devem sempre ser realistas, que às vezes precisamos saber quando parar de almejar. Mas a verdade é que a busca continua mesmo quando estou cansado. Mesmo quando digo a mim mesmo para me contentar. Ela reside em algum lugar mais profundo do que a lógica, em algum lugar perto das costelas, onde a esperança e o medo caminham lado a lado como estranhos dividindo um ônibus para casa.

Mas esta noite, pelo menos, permito-me acreditar que esse desejo não é uma falha.

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